"VINDE JESUS, FILHO DE DAVI!"
“Alegre-se
cheia de graça! O Senhor está com você!” Depois dessa saudação o anjo
Gabriel propõe a Maria uma missão especial: Acolher em seu ventre o
Filho de Deus, que vem para salvar a humanidade. A Liturgia de hoje quer
nos oferecer a graça de entrar no verdadeiro espírito do Natal e dizer
como Maria: “Eis-me aqui, Senhor, faça-se em mim segundo a vossa
vontade”.
4º DOMINGO DO ADVENTO
1ª Leitura: 2Sm 7,1-5.8b-12.14a.16
Salmo Responsorial: 88
2ª Leitura: Rm 16,25-27
Evangelho: Lc 1,26-38
.
EVANGELHO – LUCAS 1, 26-38
Naquele tempo, 26o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia, chamada Nazaré, 27a uma virgem, prometida em casamento a um homem chamado José. Ele era descendente de Davi e o nome da Virgem era Maria.
28O anjo entrou onde ela estava e disse: “Alegra-te, cheia de graça, o Senhor está contigo!”
29Maria ficou perturbada com essas palavras e começou a pensar qual seria o significado da saudação.
30O anjo, então, disse-lhe: “Não tenhas medo, Maria, porque encontraste graça diante de Deus. 31Eis que conceberás e darás à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus. 32Ele será grande, será chamado Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi. 33Ele reinará para sempre sobre os descendentes de Jacó, e o seu reino não terá fim”.
34Maria perguntou ao anjo: “Como acontecerá isso, se eu não conheço homem algum?”
35O
anjo respondeu: “O Espírito virá sobre ti, e o poder do Altíssimo te
cobrirá com sua sombra. Por isso, o menino que vai nascer será chamado
Santo, Filho de Deus. 36Também Isabel, tua parenta, concebeu um filho na velhice. Este já é o sexto mês daquela que era considerada estéril, 37porque para Deus nada é impossível”.
38Maria, então, disse: “Eis aqui a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra!”
E o anjo retirou-se.
- Palavra da Salvação.
- Glória a vós, Senhor.
HOMILIA – Dom Henrique Soares da Costa
Eis!
Estamos no último dos quatro domingos do santo Advento! Estamos já em
plena Semana Santa do Natal, iniciada no dia 17 de dezembro. A Igreja, a
gora, é toda atenção, toda contemplação do mistério da encarnação,
preparando-separa celebrar o Natal do Senhor. Sua vinda é a nossa
salvação, sua chegada é o anúncio da esperança a todos os povos, a toda a
humanidade, a anual celebração do seu Natal recorda-nos que nosso Deus
não é de longe, mas de perto, de pertinho da humanidade toda e de cada
um de nós. O Filho eterno de Pai fez-se homem para encher de Vida divina
a nossa existência humana. É esta o Mistério de que fala são Paulo na
segunda leitura da Missa de hoje: “Mistério mantido em sigilo desde
sempre. Agora, este mistério dói manifestado e... conforme determinação
do Deus eterno, foi levado ao conhecimento de todas as nações, para
trazê-las à obediência da fé!” Antes, parecia que Deus era Deus somente
de Israel, esquecendo os outros povos, a grande massa da humanidade.
Agora, não! Com a aproximação do Santo Natal, contemplamos a
benevolência de Deus para toda a humanidade: no segredo do seu coração
havia um amoroso e misterioso projeto: salvar toda a humanidade pelo
fruto que haveria de vir da raça de Israel, da tribo de Judá, da Casa de
Davi.
O
que nos deve encantar neste domingo, não é somente a grandiosidade
desse mistério, dessa surpresa de um Deus que, desde sempre,
preocupou-se com todos, com toda a humanidade e não só com Israel... o
que nos deve encantar é também o modo como o Senhor realiza o seu
desígnio: ele age nos escondido da história humana, no pequenininho de
nossas vidas, nas humildes decisões de nossa existência. Pensemos bem!
Primeiro, o rei Davi, humilde pastor de Belém, mais novo dos muitos
filhos do velho Jessé. E Deus o escolheu: para rei e para dele fazer uma
dinastia da qual nasceria o Santo Messias. Davi, que desejava
humildemente construir uma casa, um templo para o Senhor, fica sabendo
que é Deus quem lhe construirá uma Casa, isto é, uma dinastia, uma
descendência, da qual nascerá Aquele bendito Descendente que enche de
alegria o nosso coração: “O Senhor te anuncia que te fará uma casa.
Quando chegar o fim dos teus dias e repousares com teus pais, então,
suscitarei, depois de ti, um filho teu, e confirmarei a sua realiza. Eu
serei para ele um pai e ele será para mim um filho. Tua casa e teu reino
serão estáveis para sempre diante de mim, e teu trono será firme para
sempre!” Eis a bondade do Senhor, que de um simples pastorzinho fará
nascer o Salvador que reina para sempre. Depois, podemos pensar em José,
naquele que tinha recebido como prometida em casamento uma virgem
mocinha chamada Maria... José, homem simples, moço de Deus. Membro pobre
da família real de Davi, simples artesão. Moço de Deus, que vivia na
justiça do Senhor, praticando a Lei do Deus de Israel. E o Senhor,
misteriosamente o escolhe para ser o esposo daquela na qual se cumprirão
as palavras do Senhor. Recordemo-nos do Evangelho segundo Mateus:
“José, filho de Davi, não temas receber Maria, tua mulher, pois o que
nela foi gerado vem do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho e tu o
chamarás com o nome de Jesus, pois ele salvará o seu povo de seus
pecados” (Mt. 1,20-21). Pobre José! Bendito José! Jamais esperaria tal
coisa, tal gesto imprevisto do Santo de Israel! Ele, um simples
carpinteiro, cuidador, tutor, guardador, de um filho que não seria seu
filho! Ele escutaria, doravante, o Filho eterno do eterno Pai, chamá-lo
de pai!
Finalmente,
pensemos em Maria. Aqui a surpresa de Deus chega ao máximo. Uma
jovenzinha pobre, uma virgem sem nome importante, perdida nas montanhas
do norte da Terra Santa, em Nazaré da Galiléia. E o Senhor Deus lhe
dirige a palavra, faz-lhe a mais estonteante proposta que um pobre filho
de Eva jamais escutara: ser, virginalmente, a mãe do Messias, a Mãe do
Filho de Deus, a Terra bendita e santa na qual brotaria a Raiz de Jessé,
o Rebento prometido; ser a doce a Aurora do Dia sem fim, ser a Estrela
d’Alva que prenuncia o Sol eterno! “Alegra-te, Cheia de Graça! O Senhor é
contigo, Virgem Maria! Não tenhas medo, Maria, porque encontraste graça
diante de Deus!”.
São
Bernardo de Claraval, no século XII, imaginando este encontro inaudito,
entre a Virgem e o anjo, diz a Nossa Senhora: “Ouviste, ó Virgem, que
vais conceber e dar à luz um filho, não por obra de homem, mas do
Espírito Santo. O anjo espera tua resposta. Também nós, Senhora,
miseravelmente esmagados por uma sentença de condenação, esperamos tua
palavra de misericórdia. Eis que te é oferecido o preço de nossa
salvação; se consentes, seremos livres; com uma breve resposta tua
seremos chamados à vida! Ó Virgem cheia de bondade, o pobre Adão,
expulso do paraíso com a sua mísera descendência, implora a tua
resposta; Abraão a implora, Davi a implora. Os outros patriarcas, teus
antepassados, que também habitam a região da sombra da morte, suplicam
esta resposta. O mundo inteiro a espera, prostrado a teus pés. E não é
sem razão, pois de tua palavra depende o alívio dos infelizes, a
redenção dos cativos, a liberdade dos condenados, enfim, a salvação de
todos os filhos de Adão, de toda a tua raça. Apressa-te, ó virgem, em
dar a tua resposta! Por que demoras? Por que hesitas? Crê, consente,
recebe! Abre, Virgem santa, teu coração à fé, teus lábios ao
consentimento, teu seio ao Criador. Levanta-te pela fé, corre pela
entrega a Deus, abre pelo consentimento. ‘Eis aqui a serva do Senhor,
diz a Virgem; faça-se e mim segundo a tua palavra’!”
Tão
grande plano de Deus, tão grande salvação, deu-se na simplicidade de
vidas humanas que foram dizendo sim ao Senhor, que foram se abrindo para
ele nas pequenas e escondidas ocasiões da vida: Maria, a Virgem, José, o
pobre descendente de Davi, Davi, o pastor que se tornou rei... E agora –
ainda agora – o Senhor vem e nos convida a nós – a mim e a você – a que
abramos nossa vida, nosso pequeno cotidiano, para a sua presença.
Através de cada um de nós ele deseja continuar a obra de sua salvação, a
marca da sua presença neste mundo enfermo e cansado.
Virgem
Maria, Mãe de Deus, são José, esposo da virgem, são Davi, rei e
profeta, intercedei por nós, para que sejamos dóceis e úteis
instrumentos da salvação que Deus hoje quer revelar e atuar no coração
dos homens e do mundo. Que através de nossa pobre vida, vivida com
disponibilidade, o Senhor Jesus seja visto no nosso mundo tão confuso,
tão disperso, tão superficial e ameaçado por tantas trevas.
ORAÇÃO
Derramai,
ó Deus, a vossa graça em nossos corações, para que, conhecendo sua
mensagem do Anjo a encarnação do vosso Filho, cheguemos, por sua paixão e
cruz, à gloria da ressurreição. Amém!